Era uma vez, numa terra muito, muito distante, um gestor, que estava encarregado de fazer um cavalo puxar uma certa carga por um determinado percurso, de forma a que o tal cavalo produzisse o máximo possível no menor tempo. Um simples algoritmo de otimização, nada mais do que isto. Tempos e movimentos, taylorismo. O gestor sorriu diante da facilidade da tarefa.
Ora, o cavalo não via o menor sentido naquela história, pois nada ganhava com o seu próprio esforço. O gestor, percebendo a relutância do seu semovente, resolveu ajudá-lo a melhor elaborar a sua tarefa cavalar. Tentou de tudo: palavras de estímulo, poesias, pensamentos inteligentes, religiosos e de amor, reflexões, receitas da felicidade e da paz, frases de otimismo, auto-estima, apoio, sabedoria, quiropraxia, terapias alternativas, florais, regressão a vidas cavalares passadas, metafísica e até um psicólogo eqüino.
Não resolveu, o cavalo continuava não vendo sentido naquela atividade, e o gestor não entendia por que o cavalo não queria, voluntariamente, fazer o trabalho. O que estaria acontecendo? Será que a auto-estima do cavalo estava baixa?
Aí resolveu matricular o cavalo em um curso de motivação. E lá foi o pobre quadrúpede assistir a palestra de um fulano que gesticulava e urrava alucinadamente, com música alta, enquanto as pessoas se comoviam, choravam, riam, se abraçavam e coisa e tal. E o cavalo achando aquilo muito estranho, pois o irracional era ele...
Voltou, sentou e foi fazer palavras cruzadas, que é o que sempre fazia (era um cavalo letrado). Nada de puxar aquela carga, por que faria isto sem ganhar nada em troca? (pensava o cavalo letrado).
Aí o gestor, mestre em estatística, sociologia do trabalho e doutor em administração das organizações, foi ouvir uma velha cigana, que lhe recomendou que amarrasse uma cenoura na ponta de uma vara comprida e a amarrasse ao cavalo, de forma a fazê-lo correr para tentar comer a cenoura, mas que a cenoura ficasse fora do alcance, senão o cavalo a comeria e não teria motivo para continuar correndo.
E não é que funcionou? O pobre cavalo começou a correr feito louco atrás da cenoura, para ver se conseguia abocanhá-la. Quanto mais corria, mais a cenoura se aproximava da boca dele, e mais ele corria, e mais a cenoura se aproximava da boca, e assim por diante. E, por um certo tempo, o cavalo foi mantido na produtiva ilusão da cenoura.
Aí o cavalo percebeu que, por mais que corresse, apenas conseguia diminuir a distância da cenoura, mas jamais conseguiria abocanhá-la, nem mesmo tocá-la com a ponta da sua língua.
Voltou a fazer palavras cruzadas, pois era um cavalo letrado, e o gestor jamais entendeu o que tinha ocorrido.
Moral da história:
se você é gestor de cavalos, deixe que eles ganhem uma cenoura de vez em quando. Talvez funcione da mesma forma com humanos.