Blog do Godofredo
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Anti-Marketing (1)
Nunca faça o que a propaganda mandou – afinal, você é bem mandado ou tem suas próprias opiniões?
Frases
Quem dá importância às pequenas coisas é mulher de japonês.
Sexo não tem nada a ver com amor. Tanto é verdade que o governo me fode há anos, e eu não sou apaixonada por ele.
Nas horas difíceis da vida você deve levantar a cabeça, estufar o peito, e dizer de boca cheia: Agora fudeu...!!!
Se um dia, a vida lhe der as costas... passe a mão na bunda dela!
Os psiquiatras dizem que uma em cada quatro pessoas tem alguma deficiência mental... Fique de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, o retardado é você!!
O duro não é carregar o peso do chifre.... é sustentar a vaca.
Para que levar a vida a sério, se nós nascemos de uma gozada?
Quem enxerga mais longe é o ginecologista... porque enxerga lá na casa do caralho!
Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque você já descobriu em quem por a culpa.
Deixei a bebida. O ruim é que não lembro onde.
Para alcançar um objetivo, é necessário sonhar... Não perca tempo, largue tudo e vá dormir!
Eu bebo pra ficar ruim mesmo, porque se fosse pra ficar bom eu tomava remédio.
Mulheres são como moedas... ou são caras, ou são coroas.
Esposa é aquela pessoa amiga e companheira, que está sempre ali, ao seu lado, para ajudá-lo a resolver os grandes problemas que você não teria se fosse solteiro.
Sexo é como truco, se você não tem um bom parceiro, é melhor que tenha uma boa mão!
A mulher mais feliz do mundo é a namorada do saci, pois ela sabe que, se levar um pé na bunda, quem se fode é ele!
Amnésia é o cara não lembrar o que é o clitóris, depois de ter estado várias vezes com a resposta na ponta da língua.
O grande amigo não é o que vem separar a briga, mas sim aquele que chega dando a voadora.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Capoeira
Entra dupla, sai dupla, tudo no maior comportamento, até que dois manés resolveram deixar a filosofia de lado e partiram prô soco, cascudo e cusparada. A turma do deixa-disso não conseguiu nada, e aí o círculo se abriu, e os dois animais se meteram embaixo de um Opala estacionado, aos socos e pontapés, e um deles, naquele espaço exíguo debaixo do tanque de gasolina do carro, ainda conseguiu espatifar o tal berimbau na cabeça do outro. Não sossegaram nem quando dois brigadianos desceram o cacete com vontade nos seus lombos. Quem levou a pior foi o pobre do Opala, cheio de cuspe e todo amassado.
E a massa ali reunida, xingando os dois ridículos, que ainda continuaram se soqueando no banco de trás da viatura policial...
Porrada
Aí desce o motorista da kombi, um careca reforçado, lutador de judô, karatê, kung-fu, kajukenbo, kickboxing, kokondo, limalama, danzan-ryu, shingitai-jujitsu, shootfighting, shoot wrestling, tora-dojo, wen-do, bando, banshay, lethwei, naban, shotokan, shukokai, sojutsu e mais umas 35 modalidades. Só não tinha, definitivamente, aparência de lutador de sumô.
Pois o grandalhão irado saiu da pequena kombi, abriu a porta do caminhão e puxou o canalha prá fora. Só que o tal motorista do caminhão era um baixinho fracote, inversamente proporcional ao tamanho do caminhão que tinha jogado por cima da kombi do lutador marcial.
A cena a seguir foi dantesca: a desproporção entre os motoristas era maior do que a desproporção entre os veículos. Bem maior. Aí o lutador, motorista da kombi, começou a moer o outro de pancada, sob os aplausos entusiasmados da platéia que se juntava rapidamente. Só parou quando conseguiu enfiar a cabeça do desgraçado dentro do bueiro. Aí foi conferir os danos da kombi e se mandou dando risada.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Henry Louis Mencken
"Um bom político é tão inconcebível quanto um ladrão honesto."
"Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive."
"Pode ser um pecado pensar mal dos outros. Mas raramente será um engano."
"Uma igreja é um lugar onde senhores que nunca estiveram no Céu dizem maravilhas a respeito dele para pessoas que nunca irão para lá."
"A fé pode ser definida em resumo como uma crença ilógica na ocorrência do improvável."
"O amor é a ilusão de que uma mulher é diferente das outras."
"Imoralidade é a moralidade daqueles que estão se divertindo mais do que nós."
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Visão de neo-liberal sobre crime organizado
Reproduzo abaixo excelente texto do Carlos Drummond (Terra Magazine):
O crime organizado não é exatamente uma corporação do tipo Câmara de Comércio para o mercado do crime. Um ladrão é ladrão pela mesma razão que um economista é economista. A decisão de cometer um crime, como qualquer outra decisão econômica, pode ser analisada como uma escolha entre combinações alternativas de custos e benefícios. O que a sociedade precisa, do ponto de vista da eficiência econômica, é de um nível ótimo de roubo. Estas são algumas das máximas do economista neo-liberal David D. Friedman, que ilustram até onde pode levar o sistema de idéias que nos conduziu à atual situação.
A importância decisiva do Estado na defesa da sociedade, agora relembrada por efeito das ações do PCC, é algo que deveria ser óbvio sempre. Entretanto, essa noção esfumou-se ao longo do reinado neo-liberal, que maximizou a importância do mercado em proveito de poucos e tornou o poder público invertebrado ao retirar-lhe os meios materiais para desempenhar as suas funções insubstituíveis.
Levados a sério os cânones neo-liberais, por exemplo na questão do crime, chega-se a raciocínios como os expostos por David D. Friedman, da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago.
Os economistas abordam a análise do crime, afirma Friedman, com um pressuposto simples - o de que os criminosos são pessoas racionais. "Um ladrão é um ladrão pela mesma razão que eu sou um economista - porque é a alternativa mais atraente para ele. A decisão de cometer um crime, como qualquer outra decisão econômica, pode ser analisada como uma escolha entre combinações alternativas de custos e benefícios." É com esse balizamento que o economista inicia o verbete sobre Crime escrito para a enciclopédia Fortune de economia, publicada pela Warner Books.
Friedman segue nessa toada:
- Para impedir uma pessoa de cometer algo prejudicial a você, seja assaltar a sua casa ou poluir o ar que você respira, não é necessário tornar isso impossível, mas, simplesmente, não lucrativo.
- O que os economistas chamam de "deseconomia de escala" é um problema particularmente sério nas organizações criminosas e implica em que o tamanho médio das mesmas tende a ser menor, não maior, do que as empresas de outros mercados.
- O crime organizado não é exatamente uma corporação do tipo Câmara de Comércio para o mercado do crime - uma rede de indivíduos e de empresas pequenas que rotineiramente fazem negócios umas com as outras e ocasionalmente cooperam por interesse mútuo.
- Estimativas publicadas sugerem que o custo de produzir drogas no exterior e transportá-las para os Estados Unidos representa apenas um por cento do preço cobrado por elas nas ruas. Assim, mesmo que o custo da coca dobrasse, o resultado seria um aumento de apenas um por cento no preço da cocaína, e uma diminuição igualmente pequena no total consumido. Esta análise econômica sugere que pressionar outros países para não produzirem drogas provavelmente não é uma maneira muito eficaz de reduzir o seu uso.
- Se eu roubo dez dólares de você, eu me torno dez dólares mais rico e você, dez dólares mais pobre. Portanto, a riqueza total da sociedade permanece inalterada. Aparentemente, se julgarmos as leis apenas na base da eficiência econômica, não há razão para que o roubo deva ser ilegal. Isso parece óbvio, mas está errado.
Se roubar é mais lucrativo do que lavar pratos ou trabalhar como garçom, os trabalhadores serão estimulados a abandonar essas atividades e partir para o roubo. Na medida em que o número de ladrões aumenta, o retorno do roubo cai, porque o que é fácil de ser roubado já o foi e porque as vítimas passam a se defender contra o aumento dos roubos instalando cadeados, grades, alarmes e adquirindo cães de guarda.
Em equilíbrio, o ladrão paga, com seu tempo e seu esforço, o preço daquilo que rouba. Assim a perda da vítima é uma perda social líquida - o ladrão não tem um ganho igual para compensá-la. De modo que a existência dos ladrões torna a sociedade como um todo mais pobre, não porque o dinheiro foi transferido de uma pessoa para outra, mas porque recursos produtivos foram desviados do negócio da produção para o negócio do roubo.
- Reduzir o roubo a zero muito provavelmente custaria mais do que o benefício trazido pela medida. O que nós precisamos, do ponto de vista da eficiência econômica, é de um nível ótimo de roubo.
- Nós precisamos aumentar os nossos gastos para o cumprimento das leis somente até o ponto em que um dólar a mais desembolsado para capturar e punir ladrões reduza o custo líquido do roubo em mais de um dólar. Além desse ponto, reduções adicionais dos roubos custarão mais do que elas valem.
- À primeira vista pode parecer sempre eficiente impor a maior punição possível. Quanto maior a punição, menos criminosos haverá para capturar com o objetivo de manter determinado nível de dissuasão - e apanhar criminosos é caro. Um motivo pelo qual isso é errado é que punir criminosos também é caro.
Carlos Drummond, 56 anos, é jornalista. Coordena o Curso de Jornalismo da Facamp e é doutor em Economia pela Unicamp.
Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1014649-EI6609,00-Visao+de+neoliberal+sobre+crime+organizado.html
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Dos filhos deste solo...
Como todos os do seu tempo no Alegrete, o Getúlio morava na estância, e começou a trabalhar cedo. Não era um sujeito de muitas letra, mas de burro não tinha nada. Sabia das coisa. Não usava o "s" no fim das palavra, pois índio velho não desperdiça cuspe em bobagem. A professora, que ensinava nas fazenda, logo percebeu a teimosia do piá, e deixou por isso mesmo.
Com 10 anos viu o golpe, Brizola e Jango no exílio, o resto tudo preso ou morto, mas não entendeu muita coisa. Foi a única vez que viu seu pai chorar. A mãe não, esta chorava com freqüência, como era normal com as mulher. Também, prá que tanto filho! Mais tarde entendeu como é que os filho nascia, e viu que era mais difícil evitá-los do que pensava quando era piá.
Sempre na estância, acabou casando e tendo 3 filho, que até hoje estão por aí, pela vida afora. Nem ficaram sabendo do seu passamento.
Foi só nos ano 80, quando a fome chegou no campo, que o Getúlio foi embora. Crise braba aquela, mais feia que paraguaio baleado. O homi pegou seus traste e se mandou. Peleou, peleou, e acabou dando com os costado em Porto Alegre bem no dia do comício pelas Diretas, ali na frente da Prefeitura. Era abril de 1984; os doutor engravatado no palanque, aquele povaréu cheio das esperança, e ele ali, sem entender chongas nenhuma. Só reconheceu o Brizola, os outros ele não sabia quem eram. Ficou ouvindo aqueles 200 mil vivente cantando o hino nacional: "Dos filhos desta terra és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!"
Dormiu na praça, era uma noite agradável. Acabou se juntando com uma turma que vivia pelas rua mesmo, às vez achavam algum abrigo ou albergue. Na época, eram poucos os morador de rua, e não era tão ruim.
Pois agora tava lá o Getúlio, guardador de carro na volta do Gasômetro, um dos pouco sem passagem na polícia. As companhia andavam complicada, tinha muito cheirador de cola, e agora o crack. Os piá ficavam alucinado por qualquer merda. E agressivos. E tinha piá chapado aos monte, cada dia tinha mais guri novo nas rua. Esses guri nem prá catar bosta servia...
Seu único vício era a cachaça. Não tomava na guampa, aqui não tinha esses luxo. Era no bico da garrafa mesmo. Não dá prá morar na rua sem molhar o bico. Dói tudo, aqui não tinha as erva que ele tomava quando era guri. Mesmo que tivesse, ele não sabia, não entendia dessas coisa, isto era assunto de mulher, e mulher não tinha nas rua. Ou tinha, mas as china queriam a grana dos otário, ninguém tava aí prás dor de rim dele, ou prás cólica de fígado. Então, só a pura, que também aliviava a fome e esquentava nas noite gelada.
Uma da madrugada. Por mais que ele tentasse levantar prá mijar, as coisa giravam, será que foi cachaça demais? Não tinha bebido mais que nos outros dia, mas sabia que não tava bem. Acabou se mijando nas calça mesmo, não por porquice, apenas não conseguia se mexer. A dor agora era insuportável, a pinga já não resolvia. As coisa agora não giravam mais, mas tava tudo saindo de foco, ficando mais longe, cada vez mais longe e mais apagado. Deitado ali na mesma calçada de sempre, quase não ouvia o ônibus que passava a metro e meio da sua cabeça. O Getúlio véio babava feito boi com aftosa.
Lá jazia o homem, pária da sociedade, um dos modernamente chamado de "excluídos". Não era bandido, apenas não tinha nada. Não era vagabundo, só não tinha emprego. Todas aquelas lei, todos aqueles direito, as salvaguarda constitucional, tudo aquilo não servia para nada. Tentou impetrar um mandado de segurança contra a fome. Nada. Tudo aquilo não alcança o mundo real.
E o silêncio foi tomando conta, o silêncio derradeiro do filho deste solo; a última coisa que ele conseguiu lembrar foi aquela estrofe do hino nacional que ouvira na sua chegada a Porto Alegre, vinte e tantos ano antes: "Dos filhos deste solo és mãe gentil..."
quinta-feira, 26 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Tiro certeiro
Chegamos no barzinho, um lugar bastante agradável, bem decorado, garçons atenciosos, comida boa e cerveja gelada – tinha tudo para ser uma noite agradável. Nos acomodamos, começamos a conversar, mil assuntos, idéias, opiniões. De repente, do nada, surge um energúmeno arrastando um violão, acompanhado por um auxiliar com seu pandeiro e outras coisinhas de bater em cima. Sentaram-se os dois nuns cepinhos, ajustaram a parafernália eletrônica e teve início a nossa via-crúcis.
Começaram o massacre com uma versão macarrônica do que parecia ser uma velha música americana, que ninguém conseguia se lembrar qual era. O sujeito dos pandeiros tapeava sem piedade os seus instrumentos, o cretino do violão fazia de conta que seu instrumento era um banjo, e lá seguia a desgraceira. Os caras foram se entusiasmando, os instrumentos gemendo pelo mau uso. E nós ali, cada vez mais indignados com a porcaria que assistíamos contra a nossa vontade.
O segundo número foi o inevitável “Leãozinho” do Caetano Veloso. Não sei que fixação estes tais artistas da noite tem por esta música. Depois um sertanojo qualquer, eu seria incapaz de reconhecer a música, mais caipiragem americana, mais sertanojo, aí deformaram uma que outra música do Roberto Carlos. Então resolveram tocar a inevitável desculpa para sua performance constrangedora: "A dissonância será bela..."
Com o rabo do olho, vi um garçon se dirigindo até uma mesa e correndo até o equipamento de som para baixar a porcaria. Estabeleceu-se ali um conflito, porque o auxiliar do infeliz cantor aumentou novamente, e o garçon dizia que os clientes estavam se sentindo incomodados, baixava, e o animal aumentava novamente.
Começamos a nos mexer para ir embora, quando o aprendiz de chato atacou com aquela infalível do Djavan “Ai! Quanto querer...” Ele não teve nem tempo de falar “córação”, porque uma garrafa de uísque estatelou-se na testa do marmanjo. Não vi quem foi, não sei se foi um cliente ou o garçon, mas o fato é que o ato heróico calou por completo o tal autista, que jazia estatelado no chão, em meio a uma poça de sangue e uísque barato, ou uísque e sangue barato.
Não resisti e comecei a aplaudir; os demais me acompanharam, primeiro envergonhados, e à medida que se libertavam da sua correção política, cada vez com mais entusiasmo. Chutamos o bosta e seu auxiliar prá fora do barzinho, e bebemos toda a grana que íamos gastar com o famigerado “couvert artístico” que havíamos acabado de dispensar.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Preconceito e Liberdade de Expressão
O juiz Dost Mohammed Khan, da Autoridade Afegã Interina (AAI), considerou ambos culpados de atentar contra o prestígio da coroa.
O presidente do tribunal considerou a caricatura ofensiva em relação ao príncipe Mohammad Yussuf e à sua mulher Ghazni Jalalabad. A caricatura infringe um artigo do código penal afegão, que prevê até dois anos de prisão para quem “caluniar ou insultar o rei e qualquer um de seus ascendentes ou descendentes”.
Você, caro leitor, deve estar pensando na selvageria destes muçulmanos atrasados, talibãs bárbaros ou coisa parecida, e dar graças a Deus por viver no civilizado mundo ocidental, no qual a liberdade de expressão é plenamente respeitada, não é mesmo? Well, cuidado com os SEUS preconceitos...
Pois, caro leitor, esta censura vergonhosa à liberdade de expressão não ocorreu no Afeganistão, que sequer é uma monarquia (trata-se de uma república islâmica). Os nomes das vítimas da arbitrariedade e das autoridades supostamente afegãs também não correspondem à realidade.
O fato, no entanto, é real. Ocorreu na civilizada Espanha, e as vítimas desta sentença arbitrária são o cartunista Guillermo Torres e o escritor Manel Fontdevila, recentemente condenados pelo juiz José Maria Vazquez Honrubia, da Audiência Nacional, a pagar 3 mil euros de multa cada. Foram considerados culpados de atentar contra o prestígio da coroa, e a justiça ordenou a apreensão da revista de humor “El Jueves” (www.eljueves.es).
Caso alguém deseje ver a caricatura, que satiriza a política de controle da natalidade do governo (para incentivar a natalidade, o governo espanhol decidiu conceder um “cheque-bebê”, no valor de 2.500 euros aos pais de cada recém-nascido), olhe rápido, antes que a “democracia” se faça sentir novamente e acabem tirando; veja em http://www.elpais.com/fotografia/espana/Portada/revista/Jueves/elpfotnac/20070721elpepinac_1/Ies/.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Discurso de Guaicaípuro Cuatemoc
Existe contestação quanto à veracidade do evento, e até mesmo a existência de Guaicaípuro Cuatemoc é contestada em sites bajuladores do império. Pouco importa quem fez o discurso e aonde, mas o fato é que o texto é uma botinada na cara dos impérios português, espanhol e britânico, e de toda a arrogância européia, que sobrevive até hoje.
Leia e deleite-se com o discurso irônico, cáustico, sarcástico e de grande exatidão histórica:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Papa & pedofilia
O papa Bento XVI disse na semana passada, no avião rumo aos Estados Unidos, que o escândalo de pedofilia envolvendo sacerdotes católicos americanos foi "uma vergonha, que não deve se repetir".
— Esses casos representaram um grande sofrimento para os EUA, para a Igreja e para mim, pessoalmente. Não entendo como puderam acontecer — disse o dito cujo.
O tal papa que não é pop só não falou do sofrimento das vítimas...
terça-feira, 1 de abril de 2008
A Náusea
Mas, pedindo a devida licença a Sartre, não é outra a situação em que me vejo. Acompanhe-me, caro leitor, e reflita sem preconceitos político-partidários.
A pena a que me refiro, claro, é o confisco que sofro em bem mais da metade dos meus rendimentos. Ora, os governos (federal, estadual, municipal e do bairro, se fosse possível) me levam algo em torno de 40% do que recebo – o chamado salário “bruto”. Faz jus ao nome a brutalidade com que me expoliam o que me pertence. Já nem falo da exploração do meu patrão, que lucra às custas do meu trabalho, pois este assunto, após a queda do Muro de Berlin, parece que virou tabu. Faz de conta que isto não existe mais...
O que me dão em troca dos meus de 40%? Garantia de emprego? Saúde? Educação? Segurança pública? Aposentadoria integral? É muito dinheiro, só aí morre quase a metade de tudo o que ganho. Claro, hoje se fala em “paternalismo” quando o governo faz algo pelos seus cidadãos. Como, paternalismo??? Pois se estamos pagando, não é paternalismo, é OBRIGAÇÃO.
Tem mais uns bons 20% (acho que estou sendo irresponsavelmente otimista) que morrem no lucro de toda e qualquer bugiganga que eu compro. É na gasolina, no telefone, na carne, no arroz, no papel higiênico, na farinha, nos legumes, nos pneus do carro, nos estacionamentos, nos remédios, no colégio, no plano de saúde, nas taxas dos bancos, nos livros, nos discos e em tudo o mais. E o que me dão em troca do lucro que me arrancam quando me vendem seus trastes? A riqueza DELES.
Mais de 60% do que ganho vão parar em “mãos erradas”. Sustento um monte de gente que nada me dá em troca dos meus preciosos 60%. Você já pensou no que seria capaz de fazer com 100% do seu salário “bruto”? Todo mês? Sem impostos e sem lucro para os porcos capitalistas?
Mas é preciso sustentar esta gente. Nós, que cultivamos o estranho e quase obsoleto hábito de trabalhar, precisamos colaborar com aqueles que nada fazem (e não estou me referindo exatamente aos desempregados...) Isto não passa, na realidade, de “responsabilidade social”. Afinal, para que os políticos, banqueiros, ruralistas, donos de jornais, investidores, especuladores, playboys, socialites e assemelhados confraternizem nos elegantes jantares da modernidade globalizada, é preciso que alguém pague a conta – VOCÊ!
Você realmente não se importa de pagar a festa desta gente, enquanto pede à sua mulher e aos seus filhos para não deixarem a luz acesa sem necessidade, para poupar uns poucos trocados? Leva mortadela para não pagar o preço do presunto? Cozido de músculo por que o filé mignon está fora do seu alcance? Come tapioca ao invés de trufas? É, alguém tá papando caviar e champanhe com o seu dinheiro...
Segundo “A Náusea” de Sartre, "Tudo é gratuito, o jardim, esta cidade, e eu mesmo; quando acontece da gente se dar conta disso, isso atinge a cabeça e tudo começa a flutuar; eis a náusea".
Enquanto tudo é gratuito (sem sentido), vamos pagando a conta dos gratuitos. Isto, sim, “atinge a cabeça e tudo começa a flutuar; eis a náusea".