Sempre odiei a tal música ao vivo. Considero uma merda pagar um infeliz desafinado para cantar coisas que a gente não gosta, aquele som abafado, a voz esganiçada, anasalada, um ruído permanente que não chega a ser música, mas que impede qualquer conversação.
Chegamos no barzinho, um lugar bastante agradável, bem decorado, garçons atenciosos, comida boa e cerveja gelada – tinha tudo para ser uma noite agradável. Nos acomodamos, começamos a conversar, mil assuntos, idéias, opiniões. De repente, do nada, surge um energúmeno arrastando um violão, acompanhado por um auxiliar com seu pandeiro e outras coisinhas de bater em cima. Sentaram-se os dois nuns cepinhos, ajustaram a parafernália eletrônica e teve início a nossa via-crúcis.
Começaram o massacre com uma versão macarrônica do que parecia ser uma velha música americana, que ninguém conseguia se lembrar qual era. O sujeito dos pandeiros tapeava sem piedade os seus instrumentos, o cretino do violão fazia de conta que seu instrumento era um banjo, e lá seguia a desgraceira. Os caras foram se entusiasmando, os instrumentos gemendo pelo mau uso. E nós ali, cada vez mais indignados com a porcaria que assistíamos contra a nossa vontade.
O segundo número foi o inevitável “Leãozinho” do Caetano Veloso. Não sei que fixação estes tais artistas da noite tem por esta música. Depois um sertanojo qualquer, eu seria incapaz de reconhecer a música, mais caipiragem americana, mais sertanojo, aí deformaram uma que outra música do Roberto Carlos. Então resolveram tocar a inevitável desculpa para sua performance constrangedora: "A dissonância será bela..."
Com o rabo do olho, vi um garçon se dirigindo até uma mesa e correndo até o equipamento de som para baixar a porcaria. Estabeleceu-se ali um conflito, porque o auxiliar do infeliz cantor aumentou novamente, e o garçon dizia que os clientes estavam se sentindo incomodados, baixava, e o animal aumentava novamente.
Começamos a nos mexer para ir embora, quando o aprendiz de chato atacou com aquela infalível do Djavan “Ai! Quanto querer...” Ele não teve nem tempo de falar “córação”, porque uma garrafa de uísque estatelou-se na testa do marmanjo. Não vi quem foi, não sei se foi um cliente ou o garçon, mas o fato é que o ato heróico calou por completo o tal autista, que jazia estatelado no chão, em meio a uma poça de sangue e uísque barato, ou uísque e sangue barato.
Não resisti e comecei a aplaudir; os demais me acompanharam, primeiro envergonhados, e à medida que se libertavam da sua correção política, cada vez com mais entusiasmo. Chutamos o bosta e seu auxiliar prá fora do barzinho, e bebemos toda a grana que íamos gastar com o famigerado “couvert artístico” que havíamos acabado de dispensar.
Blog do Godofredo
Confesso que jamais tive, em toda a vida, um único pensamento politicamente correto. A tal correção política, que eu prefiro chamar de corretagem da politicalha, nada mais é do que a hipocrisia declarada e sem rodeios, o racismo disfarçado de tolerância, a cretinice assumida e a mentira conveniente.
Querido leitor, se você tiver alguma contribuição, por favor, este Blog conta com a sua ajuda. Só não vale chinelagem, como chamar alguém de viado ou vagabunda, nem manifestações racistas, nem pagode.
Ajude-me a desmascarar esta gentalha!
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terça-feira, 13 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Preconceito e Liberdade de Expressão
Dois caricaturistas do Afeganistão foram condenados a pagar 3 mil afeganis de multa cada por terem publicado uma charge representando o casal de príncipes herdeiros à coroa fazendo amor - uma forma de criticar a política de controle da natalidade do governo.
O juiz Dost Mohammed Khan, da Autoridade Afegã Interina (AAI), considerou ambos culpados de atentar contra o prestígio da coroa.
O presidente do tribunal considerou a caricatura ofensiva em relação ao príncipe Mohammad Yussuf e à sua mulher Ghazni Jalalabad. A caricatura infringe um artigo do código penal afegão, que prevê até dois anos de prisão para quem “caluniar ou insultar o rei e qualquer um de seus ascendentes ou descendentes”.
Você, caro leitor, deve estar pensando na selvageria destes muçulmanos atrasados, talibãs bárbaros ou coisa parecida, e dar graças a Deus por viver no civilizado mundo ocidental, no qual a liberdade de expressão é plenamente respeitada, não é mesmo? Well, cuidado com os SEUS preconceitos...
Pois, caro leitor, esta censura vergonhosa à liberdade de expressão não ocorreu no Afeganistão, que sequer é uma monarquia (trata-se de uma república islâmica). Os nomes das vítimas da arbitrariedade e das autoridades supostamente afegãs também não correspondem à realidade.
O fato, no entanto, é real. Ocorreu na civilizada Espanha, e as vítimas desta sentença arbitrária são o cartunista Guillermo Torres e o escritor Manel Fontdevila, recentemente condenados pelo juiz José Maria Vazquez Honrubia, da Audiência Nacional, a pagar 3 mil euros de multa cada. Foram considerados culpados de atentar contra o prestígio da coroa, e a justiça ordenou a apreensão da revista de humor “El Jueves” (www.eljueves.es).
Caso alguém deseje ver a caricatura, que satiriza a política de controle da natalidade do governo (para incentivar a natalidade, o governo espanhol decidiu conceder um “cheque-bebê”, no valor de 2.500 euros aos pais de cada recém-nascido), olhe rápido, antes que a “democracia” se faça sentir novamente e acabem tirando; veja em http://www.elpais.com/fotografia/espana/Portada/revista/Jueves/elpfotnac/20070721elpepinac_1/Ies/.
O juiz Dost Mohammed Khan, da Autoridade Afegã Interina (AAI), considerou ambos culpados de atentar contra o prestígio da coroa.
O presidente do tribunal considerou a caricatura ofensiva em relação ao príncipe Mohammad Yussuf e à sua mulher Ghazni Jalalabad. A caricatura infringe um artigo do código penal afegão, que prevê até dois anos de prisão para quem “caluniar ou insultar o rei e qualquer um de seus ascendentes ou descendentes”.
Você, caro leitor, deve estar pensando na selvageria destes muçulmanos atrasados, talibãs bárbaros ou coisa parecida, e dar graças a Deus por viver no civilizado mundo ocidental, no qual a liberdade de expressão é plenamente respeitada, não é mesmo? Well, cuidado com os SEUS preconceitos...
Pois, caro leitor, esta censura vergonhosa à liberdade de expressão não ocorreu no Afeganistão, que sequer é uma monarquia (trata-se de uma república islâmica). Os nomes das vítimas da arbitrariedade e das autoridades supostamente afegãs também não correspondem à realidade.
O fato, no entanto, é real. Ocorreu na civilizada Espanha, e as vítimas desta sentença arbitrária são o cartunista Guillermo Torres e o escritor Manel Fontdevila, recentemente condenados pelo juiz José Maria Vazquez Honrubia, da Audiência Nacional, a pagar 3 mil euros de multa cada. Foram considerados culpados de atentar contra o prestígio da coroa, e a justiça ordenou a apreensão da revista de humor “El Jueves” (www.eljueves.es).
Caso alguém deseje ver a caricatura, que satiriza a política de controle da natalidade do governo (para incentivar a natalidade, o governo espanhol decidiu conceder um “cheque-bebê”, no valor de 2.500 euros aos pais de cada recém-nascido), olhe rápido, antes que a “democracia” se faça sentir novamente e acabem tirando; veja em http://www.elpais.com/fotografia/espana/Portada/revista/Jueves/elpfotnac/20070721elpepinac_1/Ies/.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Discurso de Guaicaípuro Cuatemoc
Este discurso é atribuído ao embaixador mexicano Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, e teria sido realizado durante conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri.
Existe contestação quanto à veracidade do evento, e até mesmo a existência de Guaicaípuro Cuatemoc é contestada em sites bajuladores do império. Pouco importa quem fez o discurso e aonde, mas o fato é que o texto é uma botinada na cara dos impérios português, espanhol e britânico, e de toda a arrogância européia, que sobrevive até hoje.
Leia e deleite-se com o discurso irônico, cáustico, sarcástico e de grande exatidão histórica:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
Existe contestação quanto à veracidade do evento, e até mesmo a existência de Guaicaípuro Cuatemoc é contestada em sites bajuladores do império. Pouco importa quem fez o discurso e aonde, mas o fato é que o texto é uma botinada na cara dos impérios português, espanhol e britânico, e de toda a arrogância européia, que sobrevive até hoje.
Leia e deleite-se com o discurso irônico, cáustico, sarcástico e de grande exatidão histórica:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
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