Blog do Godofredo

Confesso que jamais tive, em toda a vida, um único pensamento politicamente correto. A tal correção política, que eu prefiro chamar de corretagem da politicalha, nada mais é do que a hipocrisia declarada e sem rodeios, o racismo disfarçado de tolerância, a cretinice assumida e a mentira conveniente.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Genialidade pouca é bobagem

Deixo aqui uma pequena coletânea de frases tiradas de algumas letras daquela que foi, na minha opinião, a dupla mais lúcida da música brasileira (recente, pelo menos): Raul Seixas e (não, Paulo Coelho não!) Marcelo Nova. Nada daquelas bobagens de misticismo e disco voador.

As letras são ora de um, ora do outro, ora dos dois.

Carpinteiro do Universo (Marcelo Nova / Raul Seixas)
Carpinteiro do universo inteiro eu sou.
Não sei por que nasci pra querer ajudar a querer consertar o que não pode ser...
O meu egoismo, é tão egoísta, que o auge do meu egoismo é querer ajudar.

Carpinteiro do universo inteiro eu sou (Ah eu sou assim!).
No final, Carpinteiro de mim!


Banquete de Lixo (Marcelo Nova / Raul Seixas)
O hoje é apenas um furo no futuro
Por onde o passado começa a jorrar
E eu aqui isolado onde nada é perdoado
Vi o fim chamando o princípio pra poderem se encontrar.

Nem todo bem que conquistei, nem todo mal que eu causei
Me dão direito de poder lhe ensinar

E é assim torto de verdade com amor e com maldade
Um abraço e até outra vez

A Lei (Raul Siexas)
Todo homem tem direito de pensar o que quiser
Todo homem tem direito de amar a quem quiser
Todo homem tem direito de viver como quiser
Todo homem tem direito de morrer quando quiser

Todo homem tem direito de descansar como quiser
De morrer como quiser
O homem tem direito de amar como ele quiser
De beber o que ele quiser
De viver aonde quiser
De mover-se pela face do planeta livremente sem passaportes
Porque o planeta é dele, o planeta é nosso.

Best Seller (Marcelo Nova / Raul Seixas)
O Best Seller do momento
É um livro agourento
Que ninguém entende mas
Todo mundo quer ler
Ler pra ter cultura e como acabaram
com a censura
A mídia agora é o nosso Aiatolá

E o Best Seller vai pra milésima edição
Se já não existe inteligência
Então vamos bater continência pra esse indício
De resquício militar (um, dois, três, quatro)
E como é tudo a mesma merda,
Antes que chegue a vida eterna
Eu vou pedir asilo ao Paraguai
Ah, mas não se importe não
No final o bandido casa com o mocinho
E o Best Seller vai pra milésima edição...

A Ferro e Fogo (Marcelo Nova/ Karl Hummel/ Gustavo Mullem)
Mas ficamos excitados, em poder viajar
Não importa o destino, serve pra qualquer lugar
Pra algum ponto perdido, em algum canto do mundo
Desafiar o oceano e a ira de Netuno

Lá no alto mar a tempestade desabou
Entre raios e trovões o nosso sonho afundou
E nada mais restou, além daquele desejo insano
De com apenas nossos braços cruzar o oceano

Cada um por si, fique preparado
Estamos tão famintos e boiamos esgotados
Mas quase afogando, o desejo não termina
Pois navegar a esmo, talvez seja a nossa sina

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro E Fogo.

Mamãe eu não queria (Raul Seixas)
Larga dessa cantoria menino
Música não vai levar você lugar nenhum
Peraí mamãe, güenta aí

Mamãe, eu não queria
Servir o exército

Não quero bater continência (Trá-lá-lá-lá)
Nem pra sargento, cabo ou capitão (Trá-lá-lá-lá)
Nem quero ser sentinela, mamãe
Que nem cachorro vigiando o portão
Não!

Você sabe muito bem que é obrigatório
E além do mais você tem que cumprir com seu
dever com orgulho
Mamãe eu não queria

Crime Perfeito (Marcelo Nova)
Sexta-feira a noite
Ele gasta a quinzena
Com uísque com garotas
Que nunca valem a pena

Procura pela claridade
O órfão da escuridão
Invadindo sinais vermelhos
Apanhado na contramão

Correndo por nossas vidas
Sem saber até onde
Correndo por nossas vidas
Ainda não fomos muito longe

Vive tentando matar o tempo
Pra ser um homem feliz
Achar que esse é o crime perfeito
Pois não se vê nem cicatriz

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