Pois esta história teria ocorrido na Zona Franca de Manaus, lá pelos anos 80. Nunca saberemos se foi fato ou se é pura lenda urbana.
O André era chefe - oficialmente Gerente da Divisão de Componentes Discretos do Departamento Industrial da Subunidade Norte da Unidade Brasil de uma destas multinacionais que abrem e fecham filiais aqui e acolá como a gente troca de cueca. O André era um típico chefe de fábrica: autoritário com os subordinados, servil com os superiores e absolutamente amarrado para tomar decisões. Insegurança era seu segundo nome, pusilanimidade o sobrenome. O típico chefe que tem a mania de reagir de forma irritada ao esclarecer alguma dúvida para um funcionário.
Quando alguém lhe pedia para se posicionar, ele respondia com um sonoro "Well", dava de ombros, e dizia que o funcionário tinha plenas condições de decidir, e portanto não poderia se omitir de sua responsabilidade. Inevitavelmente atribuía a seus funcionários tarefas muito abaixo da sua capacidade e centralizava as decisões, embora não gostasse de decidir. Seu mantra, que repetia sempre que se defrontava com a necessidade de uma tomada de decisão, era: "Não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou. Só sei que indo não fico, ficando sei que não vou". E encarava o interlocutor com uma expressão enigmática, até que o vivente se tocasse e saísse fora.
Qualquer reivindicação dos funcionários era descartada, após longo período de desconversação.
Vivia angustiado, a equipe desmotivada, as decisões não eram tomadas. Seu consumo de anti-ácidos era indecente, roia as unhas e a ponta do lápis. Durante as reuniões fazia desenhos misteriosos, resmungava e resfolegava; evitava se posicionar, mas depois resolvia tudo pela sua cabeça, sempre de forma a agradar seus (muitos) superiores.
Um dia o tal chefe foi tirar férias, e a turma da fábrica resolveu fazer uma brincadeira. Construíram um boneco com sucata e o sentaram na mesa do dito cujo. Usaram um velho guarda-pó, os sapatos de segurança de praxe, fita isolante, um capacete, cabos, luvas, muita estopa e assim por diante. Improvisaram uma gravata. E, no lugar das nádegas, colocaram uma gigantesca esponja, cuidadosamente "esculpida" no formato de uma bunda. E deixaram lá o tal boneco, para ver a reação do chefe quando voltasse.
Claro que quando o André voltou, sentiu-se emocionado com a homenagem (sim, ele se considerava amado pelos seus subordinados). Ficou intrigado mesmo é com a tal da esponja... Perguntou ao pessoal que estava ao redor:
- Por acaso vocês estão me chamando de bunda-esponja?
E a massa, em coro:
- Bunda-esponja não, chefe. BUNDA-MOLE!
Blog do Godofredo
Confesso que jamais tive, em toda a vida, um único pensamento politicamente correto. A tal correção política, que eu prefiro chamar de corretagem da politicalha, nada mais é do que a hipocrisia declarada e sem rodeios, o racismo disfarçado de tolerância, a cretinice assumida e a mentira conveniente.
Querido leitor, se você tiver alguma contribuição, por favor, este Blog conta com a sua ajuda. Só não vale chinelagem, como chamar alguém de viado ou vagabunda, nem manifestações racistas, nem pagode.
Ajude-me a desmascarar esta gentalha!
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